18.10.09
Aconteceu em 2006
Foi quando comecei esse blog. Parecia o pior ano do mundo. Tinha saído de um ano morando na cidade que eu sempre quis, no entanto, com a pessoa que mais desprezo e mais me fez sofrer no mundo. Não tinha passado no vestibular de novo. Levei meu primeiro fora. Não tinha amigos, não estudava, não trabalhava, não saía de casa. Tive a minha primeira crise de depressão, assim como a minha primeira experiência mal sucedida com antidepressivos.

Mas aí apareceu a Carol, minha companheira de dias inteiros sem nada pra fazer. Companheira de ficar na internet o dia todo, ver seriados e dormir do meu lado. Companheira de se embebedar com drinks doces sentadas em cadeira de praia na sala de TV assistindo os jogos da copa do mundo. Companheira de cuidar da filhotinha atropelada com o maxilar quebrado. Me apresentou o Guigão e fizemos visitas frequentes à Guarapuava.

Comecei a fazer downloads, virei vegetariana, tirei carteira de motorista, fiquei amiga do Mike, decidi o que fazer da vida, passei no vestibular, vim morar em Curitiba, tenho uma turma de amigos foda. E assim, o ano mais difícil da minha vida, até então, foi seguido de dois anos maravilhosos. Dois anos rodeada de amigos, festas e coisas legais.

Até chegar 2009. E desabar tudo de novo. Mas, recapitulando, a vida é assim. A vida é uma bela de uma filha da puta que não te dá nada de graça. E, se era isso que eu precisava, mais um ano sofrido, pra tudo melhorar, tamo aí. O ano tá acabando já. Dessa vez eu não tenho a Carol do meu lado, infelizmente, mas tenho uma faculdade, tenho um emprego e tenho muitos amigos fodas também. Enfim, ainda tenho tudo que ela me ajudou a conquistar 3 anos atrás. Dentre elas, o mais importante de tudo: os amigos. E nessa lista ela ainda ocupa um papel mais do que importante, mesmo que, dessa vez, a alguns km de distância.

Don't leave me all alone
Just drop me off at home
I'll be fine, it's not the first
Just like last time, but a little worse

por Mia. às 21:12
15.10.09
Fatos da vida em Sopranos S02E07
In life one must choose between boredom and suffering. (Madame de Staël, por Meadow Soprano)

If you want my advice, don't expect happiness, you won't get it. People let you down. (Livia Soprano)
por Mia. às 22:02
5.10.09
Gravity's bringing us down
We're getting high, but we're still feeling





down.
Gravity has a way of pinning us to the ground.



I'm soft, but I'll be alright.



Lonely... I'm just lonely.
por Mia. às 23:08
30.9.09
Na dermarologista... (a.k.a. Dei uma de Antonella parte II)
Então que eu tinha essa bolinha embaixo do meu olho.



Aí eu fui na dermatologista.

- Ah, isso não é nada, é um cistinho, eu tiro pra você.
Com uma tesoura na direção do meu olho, começa a cutucar. Quando eu reclamo e peço pra ela parar um pouquinho, ela vira pra mim e diz:
- Olha aqui, eu estou te fazendo uma cortesia, eu nem precisava tirar porque isso não oferece perigo nenhum, é estético. É bom você colaborar!
E eu fiquei com medo, esperei ela tirar, cutucar com uma agulha, na maior agonia. Quando ela terminou, depois ainda queria cortar a pelinha com a tesoura! E quando eu não deixei, ela vira pra mim e diz:
- Tenho certeza absoluta que isso dói bem menos do que esse seu piercing. Não sei porque vocês (vocês quem?) fazem isso. São tão bonitas e colocam essas coisas no nariz.
E o que a senhora tem a ver com isso? Ai, que ódio. Vou no médico pra ficar levando bronca? Por favor, né.
Médico é foda, né, Antonella?
por Mia. às 10:03
28.6.09
Válidos valores
Há algum tempo atrás tive que ouvir alguém falando que a homossexualidade dos filhos é culpa dos pais. Meninos que não são repreendidos devidamente ou têm o pai ausente e convivem com a mãe tendem a ser gays, foi isso o que eu tive que ouvir.
Óbvio que isso não tem fundamento nenhum e é um preconceito sem tamanho. Mas sabe o que pode ser considerado "culpa" dos pais? O preconceito, a intolerância, a ignorância. Não exatamente culpa dos pais, mas vem da criação e da educação.

Um grande problema entre pais e filhos é que os pais que já tracem todo o futuro do seu filho antes mesmo de ele ter sua personalidade formada. Criar grandes expectativas nunca é uma boa idéia, porque a decepção é muito grande quando elas não são atingidas. Principalmente criar expectativas a respeito coisas sobre as quais você não tem controle nenhum.

Falando sobre criação de filhos e relação entre pais e filhos, é impossível para mim não trazer à tona a minha experiência. Não só porque é o único contato com a situação que eu tive até hoje, mas porque eu - modéstia às favas - acredito que a minha mãe fez um ótimo trabalho neste aspecto. Eu fui criada acreditando que eu poderia ser o que eu quisesse e que tinha capacidade para isso. Cresci tendo os meus maiores potenciais explorados. Nunca gostei de desenhar, então nunca desenhei muito, mas sempre brinquei muito de colorir. Sempre detestei números e eles nunca tiveram um espaço maior do que o necessário na minha vida. Por outro lado, sempre amei as letras e, com quatro anos, minha mãe me ensinou a ler. Desde então ganhava pelo menos um gibi por semana - o qual eu devorava na hora seguinte - e os livros sempre eram presentes muito valorizados, aproveitados e bem cuidados.
Minha mãe nunca exigiu que eu fizesse algo para satisfazer a sua própria vontade. Sempre me incentivou a ser eu mesma e fazer o que fosse preciso trazer a minha própria satisfação. E sempre foi muito confortável para mim, saber que tudo o que eu deveria fazer para dar alegria à minha mãe era buscar a minha própria realização e felicidade. Posso estar sendo parcial, mas eu não gostaria de ter sido criada de qualquer outra forma.

"Culpar" os pais pela homossexualidade do filho é admitir que eles são capazes de moldar algo tão pessoal na vida de alguém. E, me desculpe, mas eu me considero livre o suficiente para fazer as minhas próprias decisões e ser quem eu sou sem medo de decepcionar ninguém. Assim como não é possível que os pais FAÇAM alguém ser gay, eles também não têm o poder de transformar alguém em heterossexual, o máximo que podem fazer é criar alguém reprimido e recalcado.
Se eu fosse mãe e meu filho fosse gay, eu teria um orgulho enorme em saber que ele teve coragem de ser quem ele é, independente de tabus e preconceitos. Eu saberia que fiz um bom trabalho ao ver que meu filho está disposto a enfrentar uma situação como essa para ser feliz.
Mas se eu tivesse um filho intolerante, preconceituoso, que não tivesse respeito, não soubesse conviver com as diferenças, não valorizasse a liberdade e tentasse se moldar a um padrão para ser feliz, ao invés de viver com autenticidade, aí sim, eu ficaria muito decepcionada.
por Mia. às 15:18
Mia
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